Boa noite, caros, conterrâneos.
Esta semana lancei os versos
criados por mim do Hino da Confraria do Bacalhau da nossa aldeia de Salvador,
juntamente com a música.
Hoje, é dia de lançar o tema
sobre a nossa aldeia, “Salvador, a minha aldeia”, ficam assim os
versos que criei, e de seguida publicarei também a música feita.
Esperando que gostem, dedicado
a todos os Salvadorenses e amigos.
José Morais
“Salvador, a minha
aldeia”
Fica entre vales da Beira
Baixa, onde o vento sabe histórias,
Ergue-se Salvador, aldeia
antiga, guardiã de tantas memórias.
Nasceu de mãos pré-romanas, de
pedra, suor e mineiros,
Que abriram no ventre da serra
as minas do Vieiro,
Tesouros de um passado
profundo, património vivo e inteiro.
As minas contam segredos,
ecoam passos de outrora,
São raízes que nunca secam,
são o ontem que ainda mora.
E no alto, Santa Sofia vigia,
serena, firme, devota,
Capela que abraça o povo, que
o guia, que o reconforta.
Lá sobem corações cansados, lá
descansa a fé salvadorense,
Que encontra na serra um colo,
um silêncio que não se vence.
No centro da aldeia, a igreja matriz
ergue-se com graça,
Senhora da Oliveira é
padroeira, luz que nunca passa.
E no cimo da estrada, branca e
simples, a Senhora de Fátima chama, acolhe romeiros em maio, que sobem com
velas e alma.
É promessa, é tradição, é o
povo unido em caminhada,
É Salvador a pulsar forte, em
fé viva e partilhada.
Setembro chega festivo, com
alegria que ninguém doma,
Santa Sofia é celebrada em
festa, em música, em aroma.
Entre procissões e risos,
entre danças e devoção,
A aldeia veste-se de vida, de
encontro e de coração.
São dias de luz e de gente, de
reencontros e de verdade,
Onde o tempo abranda o passo e
a saudade vira vontade.
Terra de fadistas e
acordeonistas, que choram saudades,
de artesãos que moldavam o
sonho na mão,
onde vivem ainda grandes
tradições, e verdades,
e outras se perderam na poeira
do chão.
Salvador, terra de costumes
antigos,
de poetas que escreveram em
segredo,
de escritores que guardam no
peito os amigos
e de artistas que pintam o
tempo sem medo.
Salvador, terra com passado
que fala,
eco vivo de histórias que o
vento levou.
Mesmo quando a memória se
cala,
fica a alma da terra, que
nunca mudou.
E ao longe, Castelo Branco
chama, Penamacor responde altiva,
Terras irmãs da Beira Baixa,
onde a memória nunca deriva.
E ecoa, como um abraço antigo,
a canção que o povo não esquece, de Maria de Lurdes Resende, que Salvador
enobrece:
Castelo Branco é vila,
Penamacor é cidade,
Salvador barquinha
d’oiro,
Onde embarca a mocidade.
José Morais
25/03/2026
A musica
