sábado, 28 de março de 2026

“Salvador, a minha aldeia” letra e música"


Boa noite, caros, conterrâneos.

Esta semana lancei os versos criados por mim do Hino da Confraria do Bacalhau da nossa aldeia de Salvador, juntamente com a música.

Hoje, é dia de lançar o tema sobre a nossa aldeia, “Salvador, a minha aldeia”, ficam assim os versos que criei, e de seguida publicarei também a música feita.

Esperando que gostem, dedicado a todos os Salvadorenses e amigos.

 

José Morais

 


“Salvador, a minha aldeia”

 

 

Fica entre vales da Beira Baixa, onde o vento sabe histórias,

Ergue-se Salvador, aldeia antiga, guardiã de tantas memórias.

Nasceu de mãos pré-romanas, de pedra, suor e mineiros,

Que abriram no ventre da serra as minas do Vieiro,

Tesouros de um passado profundo, património vivo e inteiro.

 

As minas contam segredos, ecoam passos de outrora,

São raízes que nunca secam, são o ontem que ainda mora.

E no alto, Santa Sofia vigia, serena, firme, devota,

Capela que abraça o povo, que o guia, que o reconforta.

Lá sobem corações cansados, lá descansa a fé salvadorense,

Que encontra na serra um colo, um silêncio que não se vence.

 

No centro da aldeia, a igreja matriz ergue-se com graça,

Senhora da Oliveira é padroeira, luz que nunca passa.

E no cimo da estrada, branca e simples, a Senhora de Fátima chama, acolhe romeiros em maio, que sobem com velas e alma.

É promessa, é tradição, é o povo unido em caminhada,

É Salvador a pulsar forte, em fé viva e partilhada.

 

Setembro chega festivo, com alegria que ninguém doma,

Santa Sofia é celebrada em festa, em música, em aroma.

Entre procissões e risos, entre danças e devoção,

A aldeia veste-se de vida, de encontro e de coração.

São dias de luz e de gente, de reencontros e de verdade,

Onde o tempo abranda o passo e a saudade vira vontade.

 

Terra de fadistas e acordeonistas, que choram saudades,

de artesãos que moldavam o sonho na mão,

onde vivem ainda grandes tradições, e verdades,

e outras se perderam na poeira do chão.

 

Salvador, terra de costumes antigos,

de poetas que escreveram em segredo,

de escritores que guardam no peito os amigos

e de artistas que pintam o tempo sem medo.

 

Salvador, terra com passado que fala,

eco vivo de histórias que o vento levou.

Mesmo quando a memória se cala,

fica a alma da terra, que nunca mudou.

 

E ao longe, Castelo Branco chama, Penamacor responde altiva,

Terras irmãs da Beira Baixa, onde a memória nunca deriva.

E ecoa, como um abraço antigo, a canção que o povo não esquece, de Maria de Lurdes Resende, que Salvador enobrece:

 

Castelo Branco é vila, 

Penamacor é cidade, 

Salvador barquinha d’oiro, 

Onde embarca a mocidade.

 

José Morais

25/03/2026

A musica