quinta-feira, 16 de abril de 2026

“Santa Sofia devota dos Salvadorenses”


Boa tarde, caros conterrâneos e amigos.

No seguimento das últimas publicações, em que decidi contar um pouco de história da nossa aldeia de forma diferente, com poemas escritos por mim, e depois musicar os mesmos, iniciei com o lançamento dos novos versos que fiz do “Hino da Confraria do Bacalhau” da nossa aldeia de Salvador, juntamente com a nova música.

Passados uns dias foi altura de lançar mais uns novos versos que fiz, desta vez sobre a nossa aldeia contado um pouco da sua história, sobre o título “Salvador, a Minha Aldeia”, juntamente com a música.

Depois, foi a vez de escrever uns versos sobre a padroeira da nossa aldeia, “Senhora da Oliveira”, contando um pouco da sua história, juntamente também com uma música dedicada à mesma.

Desta vez foi altura de escrever uns versos sobre a devota dos Salvadorenses, e criei “Santa Sofia devota dos Salvadorenses” contando um pouco da sua história, juntamente também com uma música dedicada à mesma.

Criei um pequeno vídeo, com a música agora criada em sua honra, estes momentos fazem parte do projeto “Salvador Histórias da Minha Aldeia”, onde depois de pesquisas e investigação, elaboro os versos.

Esperando que gostem, dedicado a todos os Salvadorenses e amigos.

Ficam abaixo os versos, e a música.




“Santa Sofia devota dos Salvadorenses”

 

 

Na aldeia de Salvador,

Ergue-se no alto uma capela com fervor,

Santa Sofia vigia a serra inteira,

Guardando o povo com fé verdadeira.

 

Seus fiéis sobem caminhos de devoção,

Com fé acesa no peito e no coração,

Entre promessas, e oração,

Encontram nela consolo e proteção.

 

Lá no cimo da serra, firme e serena,

A capela resiste ao tempo e à pena,

Pedra sobre pedra, erguida em união,

Símbolo vivo da fé e da população.

 

Em setembro a festa volta a florir,

Romaria que faz a aldeia sorrir,

Ano após ano, o povo a cantar,

Louva a santa que os vem guardar.

 

Santa Sofia, luz sem fim,

Guardiã do povo, vela por todos assim,

É chama que nunca se deixa apagar,

É luz no trilho de quem vai rezar.

 

Romaria que vive no tempo guardada,

Entre histórias antigas, memória sagrada,

Dizem que em tempos de dor e aflição,

Trouxe paz e força a toda a região.

 

E ao campo deu vida, verde vigor,

Fez brotar esperança onde havia tremor,

Como bênção que desce suave do céu,

Acalmando a terra sob o seu véu.

 

Conta a lenda, em segredo profundo,

Que sob o monte corre um braço do mundo,

Um “braço de mar” oculto no chão,

Que ameaça em silêncio a povoação.

 

Mas Santa Sofia, firme a velar,

Não deixa as águas se levantarem do mar,

Protege a aldeia de todo o perigo,

Como mãe que ampara o seu abrigo.

 

Diz a lenda, foi por milagre, por graça sentida,

Que a povoação foi então protegida,

De uma inundação que tudo levaria,

Se não fosse a Santa que ali vigia.

 

Assim o povo, em fé agradecida,

Ergueu a capela, promessa cumprida,

No lugar da lenda, no alto da serra,

Para sempre guardar quem ali se encerra.

 

E hoje ainda ecoa, em voz de emoção,

A história viva de devoção,

Santa Sofia, eterna a brilhar,

Na alma do povo que a sabe amar.

 

José Morais

30/03/2026