quinta-feira, 14 de maio de 2026

“Tradições Populares: “Dia da Espiga” a festa da primavera que o tempo não apagou”


Por: José Morais 

A quintafeira da Ascensão, celebrada cerca de quarenta dias após a Páscoa, continua a ser um dos rituais mais enraizados no imaginário rural português. Conhecida como “Dia da Espiga”, esta data mistura religiosidade católica, simbolismo agrícola e ecos de antigas tradições pagãs, revelando como o calendário cristão absorveu práticas muito anteriores ao seu tempo.

De madrugada, era costume que rapazes e raparigas partissem para o campo em busca de espigas maduras e flores silvestres. O gesto, aparentemente simples, escondia um forte simbolismo social: a espiga, já dourada, era oferecida à rapariga como sinal de que também ela “florescia” para a vida adulta. Era, na prática, um ritual de cortejo, uma forma subtil de aproximação e, muitas vezes, o início de futuros namoros.

O ramo recolhido composto por espiga, malmequeres, papoilas, oliveira, videira e alecrim era depois guardado durante um ano, pendurado dentro de casa, como amuleto de abundância, proteção e boa sorte. Só era substituído no “Dia da Espiga” seguinte, num ciclo que reforçava a ligação entre a comunidade, a natureza e o tempo agrícola.

Especialistas em tradições populares recordam que este costume tem raízes muito mais antigas, ligadas às festas pagãs da deusa Flora, celebradas na mesma época e associadas ao renascimento da vegetação. A tradição das “Maias”, ainda hoje viva em várias regiões, partilha essa mesma herança de celebração da fertilidade e da primavera.

 

A quadra popular que atravessou gerações mostra bem a expectativa e a magia que envolviam este dia:

 

*Quintafeira d’Ascensão, 

Se os passarinhos o sabiam, 

Não comiam nem bebiam, 

Nem punham os pés no chão. *

 

Um ritual que resiste ao tempo

 

Apesar da modernidade ter afastado muitos dos costumes rurais, o “Dia da Espiga” continua a ser celebrado em várias localidades, com romarias, feiras, recolhas comunitárias de ramos e atividades escolares que mantêm viva a memória coletiva. Em algumas regiões, o ramo ganhou novas leituras: é visto como símbolo de sustentabilidade, de ligação à terra e até de identidade cultural.

 

O que o ramo representa hoje

 

Espiga — pão e abundância

Oliveira — paz

Videira — alegria

Papoila — vida

Malmequer — ouro e prata

Alecrim — força e saúde

Cada elemento reforça a ideia de que este ritual é, acima de tudo, uma celebração da esperança.

 

Valor acrescentado: a atualidade da tradição

 

Num tempo em que se fala cada vez mais de sustentabilidade, raízes culturais e bemestar emocional, o “Dia da Espiga” ganha novo significado. A ida ao campo, o contacto com a natureza e o gesto de colher um ramo que simboliza prosperidade tornamse quase um manifesto contra a pressa do quotidiano. É uma pausa, um regresso ao essencial.

O “Dia da Espiga” não é apenas uma tradição antiga é um lembrete de que a ligação à terra continua a ser um dos pilares da identidade portuguesa.

*Quadra retirada do livro “Salvador Barquinha D’ Oiro, de Albertino Calamote.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

“Celebrações 13 de maio em Salvador/Penamacor”


Dias 12 e 13 de Maio

 

Por: José Morais

As tradicionais celebrações do 13 de maio, em Honra de “Nossa Senhora de Fátima” vão realizar-se mais um ano na aldeia de Salvador/Penamacor.

Terça-feira dia 12, realiza-se a procissão das velas com saída da Capela Nossa Senhora de Fátima pelas 21 horas, a imagem percorrerá as ruas da aldeia, até à nossa igreja matriz, onde permanecerá até ao dia seguinte.

Na quarta-feira dia 13, será celebrada na nossa igreja matriz pelas 11 horas a missa, seguindo-se a procissão pelas ruas da aldeia, até à Capela de “Nossa Senhora de Fátima”, onde terminarão as celebrações, e será a despedida e o adeus à Virgem, com um adeus até ao próximo ano.

Este será mais um grande momento de devoção, dos Salvadorenses e Amigos devotos de “Nossa Senhora de Fátima”.

terça-feira, 5 de maio de 2026

“Homenagem a Nossa Senhora de Fátima em Salvador”


Caros conterrâneos e amigos

Por: José Morais

No seguimento das últimas publicações, deixo hoje uma homenagem a “Nossa Senhora de Fátima”, também uma devota de muitos Salvadorenses e amigos, completando assim o “Trio Sagrado” da nossa aldeia de Salvador.

Como aconteceu com a “Senhora da Oliveira”, “Santa Sofia”, agora será a vez da “Senhora de Fátima”, quando se aproximam as celebrações do 13 de maio, conto um pouco da sua história na nossa aldeia de forma diferente, onde escrevi um poema sobre a mesma, e depois musiquei o mesmo.

Criei assim um pequeno vídeo, com a música agora criada em sua honra, estes momentos fazem parte do projeto “Salvador Histórias da Minha Aldeia”, onde depois de pesquisas e investigação, elaboro os versos.

Esperando que gostem, dedicado a todos os Salvadorenses e amigos.

Ficam abaixo os versos, e a música:

 

 

“Homenagem a Nossa Senhora de Fátima em Salvador”

 

 

No alto da estrada a capela a brilhar,

Branquinha e serena a chamar para rezar,

Com estrela no óculo a noite a guiar,

Nossa Senhora de Fátima vem sempre abençoar.

 

A capela foi nos anos vinte que a viram nascer,

E em 1931 foi benzida para o povo a acolher,

Da Beira Baixa a fé aprendeu a crescer,

Com a Mãe de Fátima a ensinar a crer.

 

É canto da aldeia, é luz no coração,

No dia treze de maio renasce a devoção,

Famílias regressam trazendo a emoção,

E Salvador inteiro se faz oração.

 

No dia doze a imagem sai devagar a descer,

Ruas com flores, colchas a reviver,

Velas acesas que fazem tremer,

E o povo agradece o dom de a receber.

 

No dia treze a missa sobe ao céu devagar,

Depois a procissão começa a voltar,

Promessas e lágrimas no mesmo olhar,

E o adeus à Virgem custa a terminar.

 

Com Santa Sofia e a Senhora da Oliveira,

Forma um trio sagrado que protege a vida inteira,

Nos templos de Salvador a fé é verdadeira,

E a luz de Nossa Senhora de Fátima torna a alma mais certeira.

 

Nossa Senhora de Fátima é paz e perdão,

É voz que embala o povo em cada oração,

É a alegria maior desta nossa região,

E em Salvador é guia, e amor no coração.

 

 

José Morais

11/04/2026



quinta-feira, 16 de abril de 2026

“Santa Sofia devota dos Salvadorenses”


Boa tarde, caros conterrâneos e amigos.

No seguimento das últimas publicações, em que decidi contar um pouco de história da nossa aldeia de forma diferente, com poemas escritos por mim, e depois musicar os mesmos, iniciei com o lançamento dos novos versos que fiz do “Hino da Confraria do Bacalhau” da nossa aldeia de Salvador, juntamente com a nova música.

Passados uns dias foi altura de lançar mais uns novos versos que fiz, desta vez sobre a nossa aldeia contado um pouco da sua história, sobre o título “Salvador, a Minha Aldeia”, juntamente com a música.

Depois, foi a vez de escrever uns versos sobre a padroeira da nossa aldeia, “Senhora da Oliveira”, contando um pouco da sua história, juntamente também com uma música dedicada à mesma.

Desta vez foi altura de escrever uns versos sobre a devota dos Salvadorenses, e criei “Santa Sofia devota dos Salvadorenses” contando um pouco da sua história, juntamente também com uma música dedicada à mesma.

Criei um pequeno vídeo, com a música agora criada em sua honra, estes momentos fazem parte do projeto “Salvador Histórias da Minha Aldeia”, onde depois de pesquisas e investigação, elaboro os versos.

Esperando que gostem, dedicado a todos os Salvadorenses e amigos.

Ficam abaixo os versos, e a música.




“Santa Sofia devota dos Salvadorenses”

 

 

Na aldeia de Salvador,

Ergue-se no alto uma capela com fervor,

Santa Sofia vigia a serra inteira,

Guardando o povo com fé verdadeira.

 

Seus fiéis sobem caminhos de devoção,

Com fé acesa no peito e no coração,

Entre promessas, e oração,

Encontram nela consolo e proteção.

 

Lá no cimo da serra, firme e serena,

A capela resiste ao tempo e à pena,

Pedra sobre pedra, erguida em união,

Símbolo vivo da fé e da população.

 

Em setembro a festa volta a florir,

Romaria que faz a aldeia sorrir,

Ano após ano, o povo a cantar,

Louva a santa que os vem guardar.

 

Santa Sofia, luz sem fim,

Guardiã do povo, vela por todos assim,

É chama que nunca se deixa apagar,

É luz no trilho de quem vai rezar.

 

Romaria que vive no tempo guardada,

Entre histórias antigas, memória sagrada,

Dizem que em tempos de dor e aflição,

Trouxe paz e força a toda a região.

 

E ao campo deu vida, verde vigor,

Fez brotar esperança onde havia tremor,

Como bênção que desce suave do céu,

Acalmando a terra sob o seu véu.

 

Conta a lenda, em segredo profundo,

Que sob o monte corre um braço do mundo,

Um “braço de mar” oculto no chão,

Que ameaça em silêncio a povoação.

 

Mas Santa Sofia, firme a velar,

Não deixa as águas se levantarem do mar,

Protege a aldeia de todo o perigo,

Como mãe que ampara o seu abrigo.

 

Diz a lenda, foi por milagre, por graça sentida,

Que a povoação foi então protegida,

De uma inundação que tudo levaria,

Se não fosse a Santa que ali vigia.

 

Assim o povo, em fé agradecida,

Ergueu a capela, promessa cumprida,

No lugar da lenda, no alto da serra,

Para sempre guardar quem ali se encerra.

 

E hoje ainda ecoa, em voz de emoção,

A história viva de devoção,

Santa Sofia, eterna a brilhar,

Na alma do povo que a sabe amar.

 

José Morais

30/03/2026



segunda-feira, 6 de abril de 2026

“Senhora da Oliveira a Padroeira de Salvador”


Boa noite, caros, conterrâneos.

Recentemente lancei os novos versos que fiz do “Hino da Confraria do Bacalhau” da nossa aldeia de Salvador, juntamente com a nova música.

Passados uns dias foi altura de lançar mais uns novos versos que fiz, desta vez sobre a nossa aldeia contado um pouco da sua história, sobre o título “Salvador, a Minha Aldeia”, juntamente com a música.

Hoje chego até vós com mais um momento, desta vez escrevi uns versos sobre a padroeira da nossa aldeia, “Senhora da Oliveira”, contando um pouco da sua história, juntamente também com uma música dedicada à mesma.

Como sabem, a “Senhora da Oliveira” é a padroeira da nossa aldeia de Salvador, não existindo festejos em sua Honra, apenas em Santa Sofia a devota dos Salvadorense, porem a imagem acompanha sempre a procissão.

Juntando algumas imagens, criei um pequeno vídeo, com a música agora criada em sua honra, ficam abaixo os versos, e a musica.

Esperando que gostem, dedicado a todos os Salvadorenses e amigos.

 

José Morais



“Senhora da Oliveira a Padroeira de Salvador”

 

 

Na aldeia de Salvador, entre pedras antigas,

onde o tempo repousa em memórias amigas,

erguem-se ecos dos Covões calados,

de casas, sepulturas e gestos passados.

 

Ali, onde a terra guarda a raiz da história,

nasceu um povo de fé e de memória,

rendeiros da vida, sob opressão senhorial,

mas livres na alma, no gesto espiritual.

 

E foi na oliveira, curva e sagrada,

que a luz de um milagre foi revelada:

no ventre da árvore, em silêncio profundo,

surgiu uma imagem que mudou o mundo.

 

Senhora da Oliveira, de olhar sereno,

brotaste da terra como um dom pleno,

e o povo, em devoção, te fez rainha,

padroeira eterna de sua campainha.

 

Ergueram-te templo, humilde e primeiro,

feito de fé mais que dinheiro,

mas o tempo, severo, levou-o ao chão,

restando ao povo apenas a devoção.

 

Levaram-te longe, por mãos alheias,

calaram-se sinos, choraram aldeias,

mas o povo, firme, de alma erguida,

reconstruiu casa para a sua querida.

 

E voltaste, Senhora, ao teu lugar,

onde o povo te aprende a amar,

numa igreja erguida com suor e crença,

século dezassete, firme presença.

 

Mesmo quando o tempo te quis apagar,

e mãos te mandaram ao solo guardar,

nunca morreu o teu culto profundo,

pois vives na alma de todo este mundo.

 

Não importa a data ou dia marcado,

uns dizem maio, outros não dizem nada;

não há festejos em tua honra, Senhora,

mas vives em cada passo e em cada oração, gravada.

 

E quando as ruas se enchem de vida,

e Santa Sofia caminha seguida,

lá vais tu também, na procissão,

guiando Salvador no coração.

 

Ó Senhora da Oliveira, raiz e luz,

és mais que imagem, és fé que conduz,

és história, és povo, és identidade,

és alma viva de uma eternidade.

 

 

José Morais

30/03/2026



sábado, 4 de abril de 2026

Ficam os votos de uma Feliz Páscoa, e deixo aqui o meu último poema que dedico a todos.


Por: José Morais


“É Dia de Páscoa”

 

Renasce a luz na manhã dourada, 

como se o mundo abrisse as janelas do coração.

Os sinos chamam, suaves, pela estrada,

e cada passo é promessa de renovação.

 

No ar, o perfume doce da esperança, 

mistura de alecrim, infância e luar.

É tempo de guardar o que cansa

e deixar o que é novo despontar.

 

O coelho corre, leve, pela colina, 

trazendo risos, ovos e fantasia.

Mas é no silêncio que a alma adivinha

o milagre simples de um novo dia.

 

Páscoa é ponte, é abraço que regressa, 

é mesa cheia, é memória que aquece.

É acreditar que a vida recomeça

sempre que o amor nos acontece.

 

José Morais

30/03/2026

sábado, 28 de março de 2026

“Salvador, a minha aldeia” letra e música"


Boa noite, caros, conterrâneos.

Esta semana lancei os versos criados por mim do Hino da Confraria do Bacalhau da nossa aldeia de Salvador, juntamente com a música.

Hoje, é dia de lançar o tema sobre a nossa aldeia, “Salvador, a minha aldeia”, ficam assim os versos que criei, e de seguida publicarei também a música feita.

Esperando que gostem, dedicado a todos os Salvadorenses e amigos.

 

José Morais

 


“Salvador, a minha aldeia”

 

 

Fica entre vales da Beira Baixa, onde o vento sabe histórias,

Ergue-se Salvador, aldeia antiga, guardiã de tantas memórias.

Nasceu de mãos pré-romanas, de pedra, suor e mineiros,

Que abriram no ventre da serra as minas do Vieiro,

Tesouros de um passado profundo, património vivo e inteiro.

 

As minas contam segredos, ecoam passos de outrora,

São raízes que nunca secam, são o ontem que ainda mora.

E no alto, Santa Sofia vigia, serena, firme, devota,

Capela que abraça o povo, que o guia, que o reconforta.

Lá sobem corações cansados, lá descansa a fé salvadorense,

Que encontra na serra um colo, um silêncio que não se vence.

 

No centro da aldeia, a igreja matriz ergue-se com graça,

Senhora da Oliveira é padroeira, luz que nunca passa.

E no cimo da estrada, branca e simples, a Senhora de Fátima chama, acolhe romeiros em maio, que sobem com velas e alma.

É promessa, é tradição, é o povo unido em caminhada,

É Salvador a pulsar forte, em fé viva e partilhada.

 

Setembro chega festivo, com alegria que ninguém doma,

Santa Sofia é celebrada em festa, em música, em aroma.

Entre procissões e risos, entre danças e devoção,

A aldeia veste-se de vida, de encontro e de coração.

São dias de luz e de gente, de reencontros e de verdade,

Onde o tempo abranda o passo e a saudade vira vontade.

 

Terra de fadistas e acordeonistas, que choram saudades,

de artesãos que moldavam o sonho na mão,

onde vivem ainda grandes tradições, e verdades,

e outras se perderam na poeira do chão.

 

Salvador, terra de costumes antigos,

de poetas que escreveram em segredo,

de escritores que guardam no peito os amigos

e de artistas que pintam o tempo sem medo.

 

Salvador, terra com passado que fala,

eco vivo de histórias que o vento levou.

Mesmo quando a memória se cala,

fica a alma da terra, que nunca mudou.

 

E ao longe, Castelo Branco chama, Penamacor responde altiva,

Terras irmãs da Beira Baixa, onde a memória nunca deriva.

E ecoa, como um abraço antigo, a canção que o povo não esquece, de Maria de Lurdes Resende, que Salvador enobrece:

 

Castelo Branco é vila, 

Penamacor é cidade, 

Salvador barquinha d’oiro, 

Onde embarca a mocidade.

 

José Morais

25/03/2026

A musica



sábado, 24 de janeiro de 2026

“Revivendo as Janeiras”


Salvador marcou presença com os Grupo Manter Tradições

 

Por: José Morais/com Flávio Simão

Foto: Câmara Municipal Penamacor

O Canto das Janeiras tem origem em antigas tradições populares portuguesas ligadas ao início do ano. Surgiu como um costume de celebrar a chegada de janeiro, desejando bom ano, saúde e prosperidade às famílias. Os grupos percorriam as ruas e casas cantando, muitas vezes recebendo alimentos ou pequenas ofertas em troca, mantendo viva uma tradição comunitária de partilha, música e esperança para o novo ano.


E esta tradição não morrer, e muitas são as aldeias e vilas que anualmente continuam a não deixar morrer a mesma em janeiro. Numa organização de Eduardo Geraldes, as Janeiras foram cantadas esta sexta-feira dia 23 na igreja matriz da aldeia de Aranhas.

Reinterpretação criativa e inovadora das Janeiras por uma orquestra profissional e grupos de todas a freguesias do concelho de Penamacor, foi o mote para a celebração das mesmas.

As aldeias de todo o concelho participaram com os seus grupos, e a nossa aldeia de Salvador também marcou presença como o Grupo Manter Tradições, constituído por: Flávio Simão, Alfredo Silva, Gonçalo Borrego, Micaela Serraninho e Roberto Serraninho.

Este evento contou com o apoio do Município de Penamacor, e estava inserido na Festa das Varas do Fumeiro de Aranhas.