segunda-feira, 6 de abril de 2026

“Senhora da Oliveira a Padroeira de Salvador”


Boa noite, caros, conterrâneos.

Recentemente lancei os novos versos que fiz do “Hino da Confraria do Bacalhau” da nossa aldeia de Salvador, juntamente com a nova música.

Passados uns dias foi altura de lançar mais uns novos versos que fiz, desta vez sobre a nossa aldeia contado um pouco da sua história, sobre o título “Salvador, a Minha Aldeia”, juntamente com a música.

Hoje chego até vós com mais um momento, desta vez escrevi uns versos sobre a padroeira da nossa aldeia, “Senhora da Oliveira”, contado um pouco da sua história, juntamente também com uma música dedicada à mesma.

Como sabem, a “Senhora da Oliveira” é a padroeira da nossa aldeia de Salvador, não existindo festejos em sua Honra, apenas em Santa Sofia a devota dos Salvadorense, porem a imagem acompanha sempre a procissão.

Juntando algumas imagens, criei um pequeno vídeo, com a música agora criada em sua honra, ficam abaixo os versos, e a musica.

Esperando que gostem, dedicado a todos os Salvadorenses e amigos.

 

José Morais



“Senhora da Oliveira a Padroeira de Salvador”

 

 

Na aldeia de Salvador, entre pedras antigas,

onde o tempo repousa em memórias amigas,

erguem-se ecos dos Covões calados,

de casas, sepulturas e gestos passados.

 

Ali, onde a terra guarda a raiz da história,

nasceu um povo de fé e de memória,

rendeiros da vida, sob opressão senhorial,

mas livres na alma, no gesto espiritual.

 

E foi na oliveira, curva e sagrada,

que a luz de um milagre foi revelada:

no ventre da árvore, em silêncio profundo,

surgiu uma imagem que mudou o mundo.

 

Senhora da Oliveira, de olhar sereno,

brotaste da terra como um dom pleno,

e o povo, em devoção, te fez rainha,

padroeira eterna de sua campainha.

 

Ergueram-te templo, humilde e primeiro,

feito de fé mais que dinheiro,

mas o tempo, severo, levou-o ao chão,

restando ao povo apenas a devoção.

 

Levaram-te longe, por mãos alheias,

calaram-se sinos, choraram aldeias,

mas o povo, firme, de alma erguida,

reconstruiu casa para a sua querida.

 

E voltaste, Senhora, ao teu lugar,

onde o povo te aprende a amar,

numa igreja erguida com suor e crença,

século dezassete, firme presença.

 

Mesmo quando o tempo te quis apagar,

e mãos te mandaram ao solo guardar,

nunca morreu o teu culto profundo,

pois vives na alma de todo este mundo.

 

Não importa a data ou dia marcado,

uns dizem maio, outros não dizem nada;

não há festejos em tua honra, Senhora,

mas vives em cada passo e em cada oração, gravada.

 

E quando as ruas se enchem de vida,

e Santa Sofia caminha seguida,

lá vais tu também, na procissão,

guiando Salvador no coração.

 

Ó Senhora da Oliveira, raiz e luz,

és mais que imagem, és fé que conduz,

és história, és povo, és identidade,

és alma viva de uma eternidade.

 

 

José Morais

30/03/2026



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