domingo, 5 de novembro de 2023

“Hoje vamos recordar…”


Passeios de Cicloturismo “Serra Acima” em Salvador

 

Por: José Morais

Fotos: Arquivo da Revista Notícias do Pedal

Salvador, tem tido alguns eventos interessantes, e passando recentemente os olhos pelo arquivo de fotos, encontrei algumas que marcaram durante diversos anos um grande evento realizado na nossa aldeia.

“Serra Acima”, era um evento cicloturistico que levou durante alguns anos muitos amantes do ciclismo, para fazerem a ligação de Salvador, ao alto da Serra da Estrela, a “Torre”, e onde muitos ficaram a conhecer a nossa aldeia, um pouco da sua história, costumes, e alguma gastronomia, em especial a celebre “Sopa de Grão”.


Realizado o evento sempre no domingo a seguir aos Festejos em Honra de Santa Sofia, os participantes eram oriundos de diversos pontos do país, desde Viana do Castelo, até Faro, e ainda doa Açores, com a maioria a vir da área da Grande Lisboa, e os números na altura foram impressionantes, a rondar sempre os 400 ciclistas, e um ano a ser especial, onde só ciclistas eram quase 650, aos quais se juntavam sempre os acompanhantes, amigos, familiares, que participavam nesta festa da bicicleta em Salvador.

Foi um projeto que tenho o prazer de poder ter concretizado com muito sucesso, ao qual tenho de agradecer à Junta de Freguesia de Salvador, e à Câmara Municipal de Penamacor, que apoiaram a iniciativa, e patrocinaram o evento na altura.


Salvador, era assim nessa altura evadida por muitos ciclistas e acompanhantes, apesar de existirem de alguns Salvadorenses que não viam bem a iniciativa, no primeiro ano, depois nas edições seguintes as opiniões mudaram, já que era uma mais-valia para a aldeia, e a média de permanecia de quem ia participar era de 5 horas, dava para conhecer, e fazer consumo, dando vida à nossa terra, onde o comercio na altura chegava a esgotar muitas coisas.


Salvador, e algumas zonas do concelho de Penamacor ficaram a ser mais conhecidas, e sei que muito já regressaram a ver, e até alguns já estiveram nos nossos festejos de setembro, e ainda muitos me recordam esses grandes momentos, a maneira como foram recebidos, e muitos recordam a nossa celebre “Sopa de Grão”, onde muitos estiveram ao longo dos anos que se realizou o evento, e alguns confessaram que a “Sopa” era a sua delícia e que a repetiam sempre.


Este um pouco da história de “Serra Acima” , de relembrar que este evento se iniciava no recinto das festas, subia até à estrada, seguia para a rua do cemitério, e seguia depois rumo a Penamacor, um evento que levou muitos ciclistas e acompanhantes a Salvador com muitas recordações, são momentos como estes que o nosso espaço “Salvador Histórias da Minha Aldeia” quer relembrar, agora é tempo de rever alguns desses bons momentos nas fotos que publicamos.

 

Um bem-haja a todos.







domingo, 8 de outubro de 2023

“Hoje falamos… Nossa Senhora da Oliveira”



Será que a Padroeira de Salvador não merece ter o seu dia?

 

Por: José Morais

Fotos: José Morais

Hoje vou falar de um tema, que no passado mês de setembro comentei com diversas pessoas, sobre a Padroeira de Salvador “Nossa Senhora da Oliveira”, ela que é a “Padroeira” da nossa aldeia, apesar de muitos pensarem que seja Santa Sofia, onde anualmente tem os seus festejos, mas…a realidade não é essa, porem, que se tenha conhecimento, a mesma nunca possui o seu dia festivo no calendário litúrgico, nem nunca se realizou uma festa em sua Honra, algo que muitos aprovam a sua realização.

“Nossa Senhora da Oliveira” reza a lenda que a sua imagem apareceu na cavidade de uma oliveira no sítio dos Covões, onde a partir dai nasceu o seu culto, onde chegou nesse local a existir um templo dedicado à mesma, onde a sua imagem repousava, porem motivado pela antiguidade, e má conservação, o mesmo foi demolido, sendo a imagem colocada na igreja matriz da Aldeia de João Pires.


Ao longo de muitos anos, a mesma ficou naquela igreja, os Condes de Belmonte que na altura eram os senhores da aldeia, a recusarem a construção de uma nova igreja, porem, os fiéis viram-se obrigados a construir uma nova, sendo os custos a seu cargo, erguida no local onde se encontra atualmente, após a sua construção, a imagem de Nossa Senhora da Oliveira regressou ao Salvador, mas a má conservação da mesma deu origem a que o bispo da Guarda D. Rodrigo de Moura Teles numa visita à nossa aldeia, a mandasse enterrar, e ordenou que fosse feita uma nova.

 

História de Nossa Senhora da Oliveira

 

“Nossa Senhora da Oliveira”, ou simplesmente “Senhora da Oliveira” é uma das invocações marianas ligadas à veneração pela “Paixão de Cristo”, estando o título associado à igreja “Murat”, uma pequena aldeia no sul de França, sendo esta igreja atingida por um raio em 1493, causando um incêndio, onde apenas sobreviveu a imagem que era de madeira de “Nossa Senhora da Oliveira”, passando a cidade após aquele milagre a chamar-se com aquele nome.


Sendo a oliveira uma árvore rica em simbolismo, já que remete às bênçãos do Céu, à virtude, ao dar fruto e à bondade, “Nossa Senhora” é identificada com a oliveira à qual se referem as Sagradas Escrituras, “Nossa Senhora da Oliveira” é conhecida por ajudar especialmente as mulheres durante o parto e também por proteger do impacto dos raios, porem, existem numerosas igrejas e santuários dedicados à mesma, na França, Itália, Brasil, Espanha e em Portugal.

Em Portugal muitos são os locais onde “Nossa Senhora da Oliveira” é festejada, e venerada, sendo o orago da Fajã de Cima em Ponta Delgada no Açores, no Sobral da Abelheira em Mafra, no Tortosendo na Covilhã, ou em Guimarães, onde possui uma oliveira no seu castelo, reza a história que aqui o rei Godo trouxe de Jerusalém uma oliveira que a plantou em S. Torcato, para assim o azeite pudesse alumiar o corpo do Santo Bispo, muitos séculos depois acabou por secar, mantendo-se assim seca, até que reza a história, de que junto à mesma foi erguido um cruzeiro padrão, com a oliveira a criar depois rebentos, com o povo a fazer romarias para ver o milagre que se tinha dado em honra de Santa Maria de Guimarães, que se passou depois a chamar de Santa Maria da Oliveira.

Reza também a história, de que D. João I tinha sido aclamado Rei de Portugal em 1385 na conclusão do período de anarquia que avassalou o país durante um interregno de mais de dois anos, nesse mesmo ano, as tropas portuguesas, em inferioridade numérica, lideradas pelo seu monarca e pelo condestável D. Nuno Álvares Pereira, tiveram de travar a Batalha de Aljubarrota, onde estava em causa a independência de Portugal face ao Reino de Castela, com o rei em desespero de causa, orou pela vitória das tropas portuguesas à “Nossa Senhora da Oliveira”, após a vitória o mesmo deslocou-se a Guimarães para agradecer, onde mandou edificar uma igreja, e ainda o Mosteiro de Santa Maria Da vitória.

Ainda por curiosidade, existe o registo do primeiro milagre conhecido de Santa Maria da Oliveira, Padroeira do concelho de Guimarães, data do dia 8 de outubro de 1342, com o “Livro dos Milagres de Nossa Senhora da Oliveira” a dar conta de que, nessa época, Pedro Esteves adoeceu e seu irmão Gonçalo seguiu a vontade de Deus ao encaminhá-lo para a região da Normandia, em França, aí adquiriu Pedro uma primorosa cruz esculpida que trouxe para Guimarães.

A cruz foi colocada na antiga alcaçaria, ao lado da Oliveira que estava seca, mas que, por “Milagre” de Santa Maria de Guimarães, em três dias reverdeceu e começou a deitar ramos.



Salvador também tem a sua Padroeira “Nossa Senhora da Oliveira”, com a aldeia a possuir atualmente duas capelas e uma igreja, tem a capela de Santa Sofia que foi erguida pelo povo, como forma de reconhecimento pela povoação ter sido poupada à destruição por uma inundação, e onde tem os seus festejos anuais, sendo venerada pelo povo, a capela Nossa Senhora de Fátima, de construção mais recente, e das poucas aldeias portuguesas que possui uma, também anualmente em maio é celebrada com procissão de velas, e por fim a igreja matriz, onde se encontra a padroeira “Nossa Senhora da Oliveira”, onde nunca celebra ou celebrou nada em honra da mesma que se tenha conhecimento.

Fica a pergunta: “Será que a Padroeira de Salvador não merece ter o seu dia?”, pela opinião de muitos merece, dever-se-ia celebrar, escolhendo uma data, e fazer-se uma festa em sua honra, nem que fosse apenas religiosa com uma procissão.

Fica o desafio.

Bem-hajam.

 

Nota: Com alguns excertos do livro Salvador Barquinha D’Oiro do nosso conterrâneo Albertino Calamote, com um agradecimento especial.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

“Museu de Salvador”



Sabia que existe um “Museu” na aldeia de Salvador…

 

Por: José Morais

Salvador Histórias da Minha Aldeia, foi à procura de notícias do antigamente na nossa aldeia, e visitou recentemente o “Museu” que está situado na parte esquerda da nossa Igreja Matriz, entre a Casa Mortuária e a Sacristia, algo que passa despercebido a muitos Salvadorenses, e onde também muitos nem sabem que existe, desconhecendo a criação do mesmo já há diversos anos, mas acabando por não ter sido desenvolvido o projeto.

Muitos foram os Salvadorenses que contribuíram doando diversas peças, roupas antigas, utensílios de lavoura, peças de artesanato, entre outras coisas, o caso por exemplo da mobília da Dona Carlota, uma pessoa abastada da aldeia, a qual a utilizava no Campo Frio.

A promessa da criação do “Museu” já existe há muitos anos, ficou ao longo dos mesmos estagnada, e provisoriamente foi colocado naquele espaço entre a Casa Mortuária e a Sacristia, com alguns, mas poucos objetos em exposição, onde muitos estão guardados em armários e gavetas, sem nunca serem expostos por não haver condições, e sem o dito “Museu” ser divulgado, o que origina a que muitos Salvadorenses nem tenham conhecimento da existência do mesmo, mesmo em más condições.

Depois de alguns contatos, e tentar saber a opinião de alguns Salvadorenses, um dos lugares de eleição para se montar o “Museu”, seria a antiga escola primária, a qual está desativada, ao abandono, e sem uso atualmente, e esta foi uma das perguntas que recentemente foi feita a José Caiado, que faz parte do executivo da Junta de Freguesia, numa conversa informal que fizemos em direto, onde perguntamos quais os projetos para o futuro “Museu”, onde foi colocada a pergunta, porque não fazê-lo na antiga escola?

E José Caiado respondia assim; “Neste momento não pertence à Junta, sim à igreja, o mesmo também não está muito acessível, já que se terá de entrar pela igreja”.



Temos de salientar aqui, que o acesso até pode ser feito por fora da igreja, já que possui uma porta separada da mesma, o qual pode ser visto na foto publicada, porem, José Caiado respondia de que; “Pode-se tentar criar um novo espaço na aldeia, já que existem alguns edifícios da junta de freguesia”.

Colocamos então a última pergunta, o porquê, de não utilizar a antiga escola que está ao abandono, podendo uma das partes da mesma ser para o museu? ao qual respondia: “Essa ideia seria interessante, porem, na escola antiga está a ser elaborado um outro projeto para criação de postos de trabalho, e aí não será possível, mas existem outras opções, pode ser as antigas instalações da junta de freguesia, ou edifícios que querem doar à junta, temos de aguardar”.

É claro que temos de aguardar, este um tema que já vem há muitos anos a ser falado, e continua estagnado, nos contatos feitos, nos dados recolhidos, e informações dadas, dizem de que o “Museu” não faz parte da igreja, mas sim do povo, da aldeia, onde a pergunta fica, a quem pertence o dito “Museu” que está esquecido e praticamente escondido?



Com tanto tempo de existência provisória, ainda não existe a vontade de resolver o problema, de arranjar um local onde se possa expor as muitas coisas oferecidas já há muitos anos, e onde se podem expor novas coisas que muitos Salvadorenses querem oferecer, mas onde as condições são inexistentes.

E já agora, onde se podem também expor diversos coisas pertencentes ao Grupo de Cantares Regionais “As Maias”, e o Rancho Folclórico “As Maias”, de Salvador, não será que merecem um espaço para serem recordados, mostrando assim os seus trajes e utensílios, ficando também a pergunta, onde andam esses pertences.

Esta, mais uma das histórias antigas que “Salvador Histórias da Nossa Aldeia” trazer até vós Salvadorenses e Amigos de Salvador, recordações, chamando a atenção do que se pode mudar, para tentar que Salvador possa evolui, e ser mais reconhecido.

Ficam assim algumas fotos do atual “Museu”, e podem visualizar o pequeno filme que elaboramos, para alguns recordarem, e outros verem pela primeira vez, aquilo que muitos desconhecem.

Bem-hajam


Podem ver o filme do atual museu no filme publicado em: 

Para ver o vídeo no YouTube, clique no link:

www.youtube.com/@salvadorhistoriasdaminhaaldeia/videos

Para ver o vídeo no MEO/KANAL, para quem possuir o MEO, pode aceder carregando na tecla verde do comando, inserir o código 923516”, e ver neste canal, este e outros filmes, podendo consultar toda a nossa programação.

Bons momentos…